segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TDHA - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Diagnosticando e intervindo



Escrito por Marilene Silva   

O que vem a ser Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?
É o nome dado, segundo a última classificação, ao que se popularizou por Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). Na verdade é uma maneira de ser que acaba trazendo transtornos para a vida do indivíduo que tem esse tipo de funcionamento.
Quem apresenta esse transtorno?
Apresentam esse transtorno pessoas cuja bioquímica cerebral está comprometida e, portanto, absorve menos glicose em seu Lobo Frontal, o que compromete, inclusive, a liberação de dopamina (substância do prazer) e da endorfina. A pessoa passa a filtrar menos ou inadequadamente a quantidade e a velocidade de seus pensamentos e/ou ações.
Quando ele se manifesta?
A pessoa nasce ou não com o transtorno. Quem nasce com o TDA/H pode manifestá-lo durante toda sua vida. Ocorre, porém que algumas pessoas podem começar a ter os sintomas do transtorno em episódios estressores de sua vida e julgar que “ficou” com TDA. Essas pessoas passam a ter um “funcionamento” cerebral parecido com o portador do TDA mas na verdade a bioquímica de seu cérebro sempre foi correta, o que mudou foi o ritmo de sua vida e, assim, sua bioquímica sofreu alterações. 
Quais são as causas do TDHA?
O TDA/H tem uma marcação genética, mas não necessariamente, é passado de pais para filhos, pois toda questão genética leva em si a questão da probabilidade. Existem fatores ambientais, neonatais, entre outros. O que ocorre é que o portador nasce com uma bioquímica cerebral que faz com o que o Lobo Frontal absorva menos glicose; assim, o Lobo Frontal (principalmente do lado direito) que funciona como um freio do funcionamento cerebral (resumidamente quantidade e velocidade de pensamentos) tem sua ação (de filtrar e frear) reduzida e a pessoa pensa mais e em maior velocidade.
Quais são os sintomas mais comuns em quem sofre de TDHA?
A condição básica para se dizer que uma pessoa tem o TDA/H é a hiperatividade mental. Os sintomas daqueles que sofrem com o TDA/H vão variar de acordo com o perfil de TDA existente no indivíduo. No quesito atenção, são basicamente dois parâmetros: atenção multifocada ou atenção rebaixada, que dão oportunidade para que o indivíduo com esse transtorno se enquadre em um dos três perfis: o tipo predominantemente hiperativo/impulsivo, o tipo predominantemente desatentivo e o tipo misto ou combinado.
Existe um tratamento? Psicológico ou medicamentoso?
Sim. Existem ambos os tratamentos. O Tratamento Psicológico agrupa estratégias cognitivas e de autocontrole com sessões que enfoquem o treino do autocontrole ou a psicoterapia de grupo, na qual as pessoas têm a oportunidade de saber que não estão sós. Há, ainda, a perspectiva da psicoterapia familiar sistêmica, na qual se busca restaurar a autoridade e as normas e chamar atenção às características de congruência e consistência dessas últimas. O Tratamento Medicamentoso trabalha com medicamentos psicoestimulantes (do lobo frontal) como: metilfenidato, anfetamina, pemolina; contudo, cada caso é um caso e somente o médico poderá, a partir de um exame criterioso e, preferencialmente,  pautado em um diagnóstico multidisciplinar, orientar a medicação adequada para cada caso. Se em determinado caso a pessoa demonstra ser muito mais compulsiva para a comida ou para os gastos do que desatenta ou hiperativa, de nada adianta o médico erroneamente administrar um psicofármaco que atenda melhor esse perfil do transtorno.
Quais são os cuidados que  a escola e o docente pode ter?
O Manejo do TDA/H na escola deve ser pautado num modelo que trabalhe as habilidades e competências dos alunos; com programas e ambientes de trabalho estruturados e sistematizados, que envolvam programas de modificação comportamental, em que os alunos sejam envolvidos em modelos ecológico-sistêmicos, passem por um treinamento sistematizado para seus hábitos de estudo e que a  aprendizagem seja baseada na indagação e pautada no uso da tecnologia.
E a família?
O Manejo do TDA/H por parte da família deve garantir o afeto e cuidar da auto-estima da criança, adolescente ou adulto; o diálogo deve ser constante e deve-se trabalhar habilmente as situações de conflitos entre os pais e entre os irmãos. Minimizando momentos estressores que possam fazer com que os episódios que desencadeiam compulsões e ansiedade sejam menos freqüentes no ambiente doméstico. Para tanto, via de regra, a família necessita, igualmente ao paciente, de apoio psicoterápico e carecem  da participação em grupos de apoio (com outros familiares), ações salutares que possibilitam relativizar as situações e bem administrá-las.
Alguns estudos dizem que o TDHA é um dos transtornos menos conhecidos por profissionais da área da educação e até mesmo entre os profissionais de saúde. Como você vê essa questão?
Os profissionais da área da saúde e da educação necessitam adquirir maiores conhecimentos sobre o transtorno, pois a cada dia a sociedade em que vivemos, chamada Sociedade da Informação está mais atualizada e com maior volume de dados e informações; muitos são os pais que, erroneamente, buscam se informar sobre o transtorno, contudo, sem orientação adequada sobre quais serão a base para formar seu conhecimento sobre o mesmo. Cabe aos profissionais da saúde e da educação acessar meios eficientes e eficazes para sua formação e se possível, transformar seu conhecimento em fonte correta de orientação e divulgação para os pais dos portadores do transtorno.
Fale-nos sobre o curso a distância “TDHA – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: diagnosticando e intervindo”, a quem é dirigido e qual a importância deste conhecimento nos dias atuais?
Sabe-se que a cada seis meses nosso conhecimento está defasado em relação às descobertas atuais sobre o cérebro e suas vertentes. O curso em tela traz ao clínico e ao educador uma poderosa ferramenta de formação, com fontes atuais e fidedignas, pois foi pautado nos estudos de Condemarín, Milicic e, é claro, aquele que tem sido considerado o mais notável pesquisador do transtorno, Russel A. Barkley. Trabalha-se, ainda, com a premissa da formação pragmática, assim, o material disponível no curso auxiliará, através de protocolos e guias, a avaliação, o diagnóstico do portador do transtorno e intervenção junto ao mesmo.