quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Contar histórias: construindo uma base moral e afetiva para a criança


Mônica Rosales

Escolhendo as Histórias

Que história contar em cada faixa etária?

Não apenas crianças se beneficiam das imagens contidas nas histórias, em todas as idades podemos oferecer esses presentes - basta que tenhamos um olhar atento para as questões de quem as recebe. Não se trata aqui de fechar possibilidades do tipo: para esta faixa etária só se contam estes X contos – mas antes, de tentar reconhecer nas diferentes idades quais as disposições latentes e procurar as imagens que mais estejam em sintonia com elas, tanto do ponto de vista lúdico, como evolutivo.

Contos de Fadas

Os contos de fadas traduzem em suas imagens o universo das leis da existência humana. Leis estas que não conseguimos ainda colocar em linguagem racional e quando tentamos fazê-lo, parece que perdem a força e seu poder de transformação, no sentido de nos conhecermos melhor e de termos nosso destino em nossas mãos de forma consciente, positiva e criativa.

A criança pequena pode ser vista como uma recém-chegada de um mundo onde essas leis são muito claras e óbvias e onde os contos de fada são como a língua que se fala nesse mundo, de modo que para as crianças essa linguagem é perfeitamente compreensível.

Se acreditarmos nisso, convém preservar tais imagens como verdadeiros tesouros da humanidade. Se quisermos falar à criança sobre esse mundo de possibilidades, convém não fazermos adaptações e pesquisarmos se há mudanças de cunho político, social ou religioso, incluídas nos contos, e retirá-las. (Observem os contos de Andersen – que não são tradição oral, mas criações dele próprio, como estão carregados desses valores sócio-culturais. Constituem grande fonte de entretenimento, mas não são portadores daquelas imagens grandiosas dos contos de fadas oriundos da sabedoria dos povos.).

Para aquela horinha especial, antes de dormir, seria bom que as crianças levassem essas verdades como companheiras e para preservá-las de nossos julgamentos, podemos contá-las sem grandes interpretações.

Como escolher o conto? Conte sempre aquele que você gostar mais e não se preocupe em decifrar as imagens arquetípicas que ele contenha. Apenas delicie-se ao contar.

Lendo os Contos 

Quanto à leitura de contos é importante que sejamos capazes de ler sem perder o contato visual e íntimo com as crianças. Apesar de estarmos lendo, devemos estar observando os momentos de inspiração e expiração da história e fazermos pausas, como se o conto já estivesse decorado há muito tempo, de modo que o “livro não apareça” mais do que a própria história, conforme demonstrado.

Criando o ambiente

Imaginem um trio-elétrico tocando músicas alegres em alto e bom som. Qual seria o nosso impulso? Sair atrás, dançando e cantando? Muito provavelmente.

Imaginem o som de uma lira ou o murmurar de uma canção suave. Desejaríamos parar em silêncio e ouvir? Provavelmente.

Temos um movimento para fora com o trio-elétrico e um movimento para dentro com a lira. Podemos pensar nisso se quisermos criar um ambiente próprio para contar histórias. Para ouvir é preciso silenciar e permitir que as imagens se construam em nossa mente e em nossos corações. Tudo o que desejarmos criar em termos de respiração deve ser pensado ao elaborarmos o ambiente. Se vamos contar histórias para “crianças que estão com o trio-elétrico”, precisamos trazê-las gradualmente, a partir do trio-elétrico até o silenciar para poder ouvir.

Velas e/ou músicas cantadas e/ou tocadas, podem acompanhar pequenos rituais criados pelo contador para trazer a criança para o ambiente mágico que deseja criar.

Adequando as histórias às diferentes faixas etárias

Por volta dos 3 anos

Seu universo é mágico, sua beleza, infinita.

A criança pequena tem pouca concentração para ouvir histórias com estruturas mais elaboradas. Pequenas histórias que incluam o movimento do corpo e rimas e repetições agradam enormemente.

Os contos rítmicos, com repetições, são os mais adequados assim como brincadeiras de dedos.

Ex: Pesico e Pesaco, dois anõezinhos dentro do saco. Pesaco tem um chapeuzinho, Pesico tem uma fitinha em volta da testa... E os dois juntos vão para a grande festa...

Eles cantam, eles dançam, depois voltam para casa... Pesico e Pesaco, dois anõezinhos dentro do saco...

Um profundo respeito pelo mistério que cada criança encerra em si quanto à sua proposta de vida, alegria e entusiasmo ao contar histórias, constituem o pré-requisito básico para contar histórias em todas as idades da criança, mas em relação à criança bem pequena, vale incrementar: nossas verdadeiras intenções devem ser trazidas à luz de nossa consciência, pois eles são especialmente sensíveis a elas.

A compreensão da conquista espacial no movimento da criança fará diferença na escolha dos ritmos: 1O. em cima e embaixo, 2O. direita e esquerda (7-8 anos) e por último, dentro e fora.

De 4 a 7 anos

Contos mais simples e curtos para os menores, maiores e mais elaborados para os maiores.

A criança nessa faixa etária não distingue muito bem entre o mundo (as outras pessoas, os outros seres viventes, a natureza) e si mesma. Vivem como num sonho bem elaborado e os contos de fadas são muito bem aceitos. Quanto aos outros contos (que não de fadas) deve-se ter o cuidado para que a linguagem não seja nem infantilizada, subestimando a capacidade de compreensão da criança, nem elaborada demais que não encontre base no mundo de experiências que ela tenha até então, nem de menos, pois não nos permitem conceber a idéia. A comunicação se estabelece e se constrói a partir do que é re-conhecido.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TDHA - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

Diagnosticando e intervindo



Escrito por Marilene Silva   

O que vem a ser Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?
É o nome dado, segundo a última classificação, ao que se popularizou por Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). Na verdade é uma maneira de ser que acaba trazendo transtornos para a vida do indivíduo que tem esse tipo de funcionamento.
Quem apresenta esse transtorno?
Apresentam esse transtorno pessoas cuja bioquímica cerebral está comprometida e, portanto, absorve menos glicose em seu Lobo Frontal, o que compromete, inclusive, a liberação de dopamina (substância do prazer) e da endorfina. A pessoa passa a filtrar menos ou inadequadamente a quantidade e a velocidade de seus pensamentos e/ou ações.
Quando ele se manifesta?
A pessoa nasce ou não com o transtorno. Quem nasce com o TDA/H pode manifestá-lo durante toda sua vida. Ocorre, porém que algumas pessoas podem começar a ter os sintomas do transtorno em episódios estressores de sua vida e julgar que “ficou” com TDA. Essas pessoas passam a ter um “funcionamento” cerebral parecido com o portador do TDA mas na verdade a bioquímica de seu cérebro sempre foi correta, o que mudou foi o ritmo de sua vida e, assim, sua bioquímica sofreu alterações. 
Quais são as causas do TDHA?
O TDA/H tem uma marcação genética, mas não necessariamente, é passado de pais para filhos, pois toda questão genética leva em si a questão da probabilidade. Existem fatores ambientais, neonatais, entre outros. O que ocorre é que o portador nasce com uma bioquímica cerebral que faz com o que o Lobo Frontal absorva menos glicose; assim, o Lobo Frontal (principalmente do lado direito) que funciona como um freio do funcionamento cerebral (resumidamente quantidade e velocidade de pensamentos) tem sua ação (de filtrar e frear) reduzida e a pessoa pensa mais e em maior velocidade.
Quais são os sintomas mais comuns em quem sofre de TDHA?
A condição básica para se dizer que uma pessoa tem o TDA/H é a hiperatividade mental. Os sintomas daqueles que sofrem com o TDA/H vão variar de acordo com o perfil de TDA existente no indivíduo. No quesito atenção, são basicamente dois parâmetros: atenção multifocada ou atenção rebaixada, que dão oportunidade para que o indivíduo com esse transtorno se enquadre em um dos três perfis: o tipo predominantemente hiperativo/impulsivo, o tipo predominantemente desatentivo e o tipo misto ou combinado.
Existe um tratamento? Psicológico ou medicamentoso?
Sim. Existem ambos os tratamentos. O Tratamento Psicológico agrupa estratégias cognitivas e de autocontrole com sessões que enfoquem o treino do autocontrole ou a psicoterapia de grupo, na qual as pessoas têm a oportunidade de saber que não estão sós. Há, ainda, a perspectiva da psicoterapia familiar sistêmica, na qual se busca restaurar a autoridade e as normas e chamar atenção às características de congruência e consistência dessas últimas. O Tratamento Medicamentoso trabalha com medicamentos psicoestimulantes (do lobo frontal) como: metilfenidato, anfetamina, pemolina; contudo, cada caso é um caso e somente o médico poderá, a partir de um exame criterioso e, preferencialmente,  pautado em um diagnóstico multidisciplinar, orientar a medicação adequada para cada caso. Se em determinado caso a pessoa demonstra ser muito mais compulsiva para a comida ou para os gastos do que desatenta ou hiperativa, de nada adianta o médico erroneamente administrar um psicofármaco que atenda melhor esse perfil do transtorno.
Quais são os cuidados que  a escola e o docente pode ter?
O Manejo do TDA/H na escola deve ser pautado num modelo que trabalhe as habilidades e competências dos alunos; com programas e ambientes de trabalho estruturados e sistematizados, que envolvam programas de modificação comportamental, em que os alunos sejam envolvidos em modelos ecológico-sistêmicos, passem por um treinamento sistematizado para seus hábitos de estudo e que a  aprendizagem seja baseada na indagação e pautada no uso da tecnologia.
E a família?
O Manejo do TDA/H por parte da família deve garantir o afeto e cuidar da auto-estima da criança, adolescente ou adulto; o diálogo deve ser constante e deve-se trabalhar habilmente as situações de conflitos entre os pais e entre os irmãos. Minimizando momentos estressores que possam fazer com que os episódios que desencadeiam compulsões e ansiedade sejam menos freqüentes no ambiente doméstico. Para tanto, via de regra, a família necessita, igualmente ao paciente, de apoio psicoterápico e carecem  da participação em grupos de apoio (com outros familiares), ações salutares que possibilitam relativizar as situações e bem administrá-las.
Alguns estudos dizem que o TDHA é um dos transtornos menos conhecidos por profissionais da área da educação e até mesmo entre os profissionais de saúde. Como você vê essa questão?
Os profissionais da área da saúde e da educação necessitam adquirir maiores conhecimentos sobre o transtorno, pois a cada dia a sociedade em que vivemos, chamada Sociedade da Informação está mais atualizada e com maior volume de dados e informações; muitos são os pais que, erroneamente, buscam se informar sobre o transtorno, contudo, sem orientação adequada sobre quais serão a base para formar seu conhecimento sobre o mesmo. Cabe aos profissionais da saúde e da educação acessar meios eficientes e eficazes para sua formação e se possível, transformar seu conhecimento em fonte correta de orientação e divulgação para os pais dos portadores do transtorno.
Fale-nos sobre o curso a distância “TDHA – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: diagnosticando e intervindo”, a quem é dirigido e qual a importância deste conhecimento nos dias atuais?
Sabe-se que a cada seis meses nosso conhecimento está defasado em relação às descobertas atuais sobre o cérebro e suas vertentes. O curso em tela traz ao clínico e ao educador uma poderosa ferramenta de formação, com fontes atuais e fidedignas, pois foi pautado nos estudos de Condemarín, Milicic e, é claro, aquele que tem sido considerado o mais notável pesquisador do transtorno, Russel A. Barkley. Trabalha-se, ainda, com a premissa da formação pragmática, assim, o material disponível no curso auxiliará, através de protocolos e guias, a avaliação, o diagnóstico do portador do transtorno e intervenção junto ao mesmo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Alimentação saudável e as cores dos alimentos


Alimentação saudável e as cores dos alimentos

Sabe-se que uma alimentação colorida é desejável para que tenhamos uma dieta saudável, mas por quê?

1) Torna o prato mais atrativo e divertido, e isto é especialmente importante para crianças pequenas, que não conseguem entender a importância de uma alimentação saudável e não sentem atraídas para comer verduras, legumes etc.

2) As cores dos alimentos indicam as propriedades nutricionais, pelo menos de modo geral, sendo assim, temos uma chance maior de estar dando uma dieta mais balanceada, mesmo sem a orientação de um nutricionista.

3) A variedade na alimentação é desejada, pois assim consumismo todos os elementos que necessitamos para uma vida saudável.


Por: José Luiz Setúbal

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Arara Azul - Em extinção

Coleção Tagarela Pijamas Animais em Extinção
No pantanal está cada vez mais difícil encontrar esta bela ave do gênero psitacídeas que inclui três espécies de arara.

A arara-azul é a de maior tamanho de sua espécies podendo atingir até 1 metro. Sua plumagem é bastante uniforme no tom do azul celeste, com o bico maior que das demais, predominantemente preto e detalhe amarelado na sua mandíbula.
Infelizmente todas as espécies de araras-azuis estão em perigo de extinção no pantanal e nas demais regiões do Brasil, a caça desleal feita pelo homem e a devastação de áreas nativas estão contribuindo para que nos próximos anos não tenha mais nenhuma linda arara desta livre na natureza.
Portanto se algum dia lhe oferecerem um filhote de arara para você comprar, lembre-se que em poucos anos ela não existirá mais livre na natureza e aproveite para denunciar estes caçadores clandestinos ao IBAMA pela Linha Verde 0800-61-8080, a ligação é gratuita de qualquer ponto do país e funciona de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8 às 18 horas.
Precisamos preservar o que sobrou da nossa natureza, vamos ter consciência e fazer nossa parte para ajudar nosso meio ambiente tão rico em fauna e flora.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Onças-pintadas - Homem condena animal à extinção

Matança de onças-pintadas 
Homem condena animal à extinção

Coleção Tagarela Pijamas "Animais em Extinção"
  
As onças-pintadas podem desaparecer do Parque Nacional do Iguaçu num prazo de cinco anos, caso seja mantida a média anual de 10 mortes provocadas pelo homem nos últimos sete anos, registrada por pesquisadores e moradores vizinhos da reserva. A extinção vai resultar na quebra da cadeia natural entre os animais existentes na unidade, que abriga as Cataratas do Iguaçu. A primeira consequência será o crescimento desordenado dos animais que são caçados pelas onças como alimentos.

A onça é a maior predadora das 10 espécies de animais encontrados no parque. Sem a Panthaera onca (nome científico), as presas que servem de alimento para ela - capivara, paca e tatu, entre outras - terão condições de se reproduzirem com mais facilidade, ocasionando um aumento de sua população. Quando isso acontecer, aquele que dominar o território terá mais facilidade para matar quem está abaixo no ciclo de alimentação. No Brasil existem 26 espécies de carnívoros terrestres. Elas estão divididas em quatro famílias: felídeos (onças e gatos-do-mato são os principais representantes); canídeos (lobo guará e cachorro-do-mato são os principais representantes); mustelídeos (ariranha e lontra são os principais representantes) e procionídeos (quati e guaxinim são os principais representantes).

O risco de extinção da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu foi diagnosticado há 11 anos, quando o Projeto Carnívoros do Iguaçu foi criado. Cálculos dos pesquisadores revelaram, em março de 1990, que a dimensão da reserva tem um potencial para abrigar 170 onças-pintadas. Mas já naquela época estimavam que a população da espécie não chegaria a 150 animais. Apesar de ser impossível quantificar o número atual, os biólogos acreditam que a população não passe de 60 animais.

Para o gerente do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Predadores Naturais (Cenap) - com sede em Sorocaba (SP), - Peter Crawshaw, criador do Projeto Carnívoros do Iguaçu, essa "é uma quantia otimista até demais." O Cenap é uma unidade administrativa do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os levantamentos indicam que de 1994 até o ano passado, 74 onças-pintadas foram mortas no Parque Nacional do Iguaçu. Nesse número estão descartadas as mortes naturais e também ficam de fora os felinos que são mortos mas não encontrados. O balanço revela que uma média de 10 onças têm sido mortas por ano nos últimos sete anos, embora o parque seja a maior área protegida da Bacia do Prata.

O Projeto Carnívoros do Iguaçu - pioneiro no estudo de carnívoros em unidades de conservação no Brasil e apontado como uma referência internacional para os estudos de ecologia de mamíferos, - revela números ainda mais preocupantes, que levam realmente à possibilidade de extinção da espécie.

Desde a sua implantação, em 1990, foram monitorados 70 animais, entre onças-pintadas, jaguatiricas, cachorros-do-mato, gatos mouriscos e quatis. Do total, 20 são onças-pintadas e 18 delas (90%) foram mortas por caçadores e fazendeiros. ''Somente de abril de 1990 a dezembro de 1994 usei nove animais no meu estudo. Mas num período de dois anos, nenhuma das nove onças-pintadas estava viva'', relata Peter Crawshaw. Outro indicativo que reforça o risco de extinção da espécie no Parque Nacional do Iguaçu é o fato das onças-pardas serem encontradas com mais frequência que as pintadas, na unidade. "A pintada é dominante sobre a parda. Onde tem bastante pintada tem pouca parda. A mudança significa que ela está tomando posse do território deixado pela onça-pintada," explica o biólogo, que baseou sua tese de doutorado, apresentada na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, nos estudos da fauna do Parque Nacional do Iguaçu.

Na opinião de Peter Crawshaw, a população da Panthaera onca está se aproximando de um número crítico, do qual pode não haver retorno, por causa do empobrecimento genético. "Os predadores de topo de cadeia atuam como fator de controle sobre tudo que vem abaixo deles. É como se fosse um filtro, que força todas as espécies a melhorarem geneticamente. A perda da onça-pintada é irreparável," afirma o pesquisador.

A solução para eliminar o perigo de extinção, ou adiar seu prazo, como o próprio pesquisador alerta, é aumentar a fiscalização na reserva, implantando um programa repressivo para acabar com a matança de onças. "Tem que levar o assunto a sério, para pelo menos segurar essa tendência drástica. A próxima etapa é partir para a conscientização dos fazendeiros, filhos de fazendeiros, visitantes, caçadores e, enfim, da comunidade em geral."


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Animais em Extinção - O Macaco Prego


Macaco-Prego
Por Thais Pacievitch
  
O macaco-prego (Cebus apella) é um mamífero onívoro, primata da família Cebidae. Existem 12 espécies conhecidas do gênero Cebus. Como a maioria dos primatas, o macaco-prego é inteligente e muito ativo. Atingem no máximo 60 cm de comprimento e 3,5 kg.
Essa espécie é encontrada na América do Sul, principalmente nas florestas tropicais. Muito ágeis, os macacos-prego vivem no topo das árvores, onde passam a maior parte do tempo. Normalmente só descem ao chão para beber água ou para “atacar” plantações nos arredores da floresta.
Vivem em bandos compostos por até 30 indivíduos, com maioria de fêmeas e com um macho dominante, que se comunicam através de assobios, gritos e chiados, entre outros tipos de sons e se reconhecem pelo cheiro. São muito colaborativos entre si.
Os macacos-prego têm hábitos diurnos e uma alimentação variada, composta principalmente por frutas, sementes, ovos, pequenos vertebrados, aranhas e uma grande variedade de insetos. Muito hábil e muito perspicaz, o macaco-prego utiliza pedras para quebrar frutas de casca dura (como cocos e nozes), e usa galhos ou para coçar as costas, ou para alcançar aquilo que não alcança com as mãos.

A reprodução pode ocorrer em qualquer época do ano, sendo que são as fêmeas que atraem os machos por meio de gestos e ruídos. A gestação tem duração de 6 meses, sendo que a fêmea da à luz a apenas um filhote, com peso aproximado de 260 g. O desmame ocorre após 8 meses, e aproximadamente ao completar 1 ano, o filhote se torna independente. A fêmea atinge a maturidade sexual aos 4 anos, enquanto os machos somente aos 8 anos.
Devido à destruição de seu habitat natural, assim como ao tráfico desse animal, o macaco-prego é considerado um animal ameaçado de extinção. Os macacos pregos são vendidos geralmente para a criação em cativeiro, principalmente por ser ensinado com grande facilidade. Apesar de se adaptarem muito bem ao cativeiro, por serem extremamente ativos, com freqüência criam problemas a seus donos.
Em alguns lugares o macaco-prego é conhecido como capuchin, em referência a semelhança das cores na cabeça do macaco com o capuz dos monges capuchinos.
O macaco-prego pode chegar aos 40 anos de vida.


http://www.infoescola.com

domingo, 21 de agosto de 2011

Coleção Animais em Extinção



PRESTA ATENÇÃO, CRIANÇINHA,
OLHA BEM À TUA VOLTA:
QUANTA COISA ENTÃO, VERÁS!
SÃO FLORES, FRUTOS, BICHINHOS.
E, AMANDO-OS COM CARINHO,
MAIS FELIZ QUE UM REI SERÁS!
(M.L.Figueiredo)

Galerinha, a partir desta semana contaremos aqui no blog, a estória de cada um dos animais em extinção. 
E na nossa lojinha vocês vão poder conhecer e adquirir nossa coleção de pijamas "Animais em Extinção!"

Fiquem ligados!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sugira um Tema e Ganhe um pijama!


Lançamos a coleção de Verão 2012.

"Animais em Extinção" foi o Tema vencedor e logo estará a venda na nossa Lojinha Virtual.

Agora estamos precisando da sua opinião para o Tema do Inverno 2012 Tagarela Pijamas, e o Tema vencedor ganha um pijamas da coleção de Inverno Tagarela Pijamas.

Escolha seu tema e nos mande um e-mail para tagarela@tagarelapijamas.com.br.

Boa sorte!



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"COLEÇÃO VERÃO ANIMAIS EM EXTINÇÃO"

 "COLEÇÃO VERÃO ANIMAIS EM EXTINÇÃO"; EM BREVE NA LOJINHA

QUEREMOS PARABENIZAR ÀS CRIANÇAS QUE PARTICIPARAM DO CONCURSO PARA ESCOLHER O TEMA  E DESENVOLVERAM OS DESENHOS QUE IRÃO ESTAMPAR OS PIJAMAS DA TAGARELA PIJAMAS.

A TAGARELA PIJAMAS PARABENIZA:

SARAH - 5 ANOS
PIETRA - 7 ANOS
LORENZA - 7 ANOS
NATALIE - 7ANOS
CATHERINE - 8 ANOS
HELEN - 11 ANOS
LUHARA - 14 ANOS

VEJAM AS ESTAMPAS DESENVOLVIDAS POR ELAS E CONHEÇAM COMO  ELAS VEÊM ESSES ANIMAIS!! IMAGINEM NOS PIJAMAS!!!!!!!!!!!!!

ANIMAIS EM EXTINÇÃO:








sábado, 30 de julho de 2011

Pijamas para adultos

Não deixem de aproveitar os preços dos pijamas femininos para adultos na nossa lojinha Virtual.

Os preços estão incríveis e se você mora fora de São Paulo é só entrar em contato conosco pelo e-mail tagarela@tagarelapijamas.com.br nos indicando seu CEP e atenderemos todos com o maior carinho e atenção!

Para conhecer os modelos disponíveis na lojinha clique AQUI.

Até breve
Tagarela Pijamas
55 11 34248161




sexta-feira, 29 de julho de 2011

A menina da estrela.

Era uma vez uma menina feliz. Ela morava nas estrelas. Gostava de luz e de brilho. Dançava com cometas, corria nos anéis de Saturno e brincava de gangorra na Lua. Ela sabia o que era felicidade. Mas alguma coisa inquietava a menina. Com todo o céu para ela, solidão ela sentia! Alguém para brincar com ela, correr com ela, conversar com ela. As estrelas eram boas companhias, mas sumiam com o nascer do dia. E a menina ficava sozinha, vagando pelo céu, deitada nas nuvens, observando Apolo atravessar o céu com o Sol. E a menina ficava pensando se em algum lugar existiria alguém como ela. O que a menina não sabia era que nas notas musicais, um menino sorria. Ela gostava de saltar as notas, brincar com a clave de sol e brincar de gangorra nas colcheias. O menino sabia o que era a felicidade. Cercado de música, ele conhecia a liberdade. Mas com toda a beleza de todas as músicas, solidão o menino sentia. Precisava de alguém para apreciar a música com ele. Será que nesse vasto céu existiria alguém como ele?
A menina continuava pensando em uma companhia. O menino também. Só que o que os dois não sabias, era que estava escrito que eles deveriam se encontrar. A menina das estrelas e o menino das músicas deveriam se encontrar e permanecerem juntos para sempre. Ele apreciando as estrelas e ela, as músicas. Era o destino!
E na noite mais estrelada e mais bonita de todas a menina, que estava descansando em sua estrela favorita, ouviu uma música. Não era uma música qualquer. Era a música mais linda que ela tinha ouvido em toda a sua vida. De onde vinha aquela linda música? - menina se perguntava. É você, coração? Querendo se livrar da solidão? E aquela música foi deixando a menina triste, pois não havia ninguém, além dela para ouvi-la. Uma coisa tão bonita que não pode ser compartilhada. Então, a menina se entristeceu. Ela nunca quis tanto ter companhia! Mas ela não viu que o menino estava logo na estrela do lado dela. E quando ele a viu, seu coração se encheu de alegria e ele começou a tocar uma música muito alegre, uma música que transmitisse toda a alegria de ter encontrado alguém para ouvir suas músicas.
A menina, ao ouvir aquela nova música, sentiu seu coração mais leve, porque com aquela música ninguém podia ficar triste. E a alegria dela era tanta que a menina começou a dançar e a pular de estrela para estrela.
Então ela também viu o menino e soube que daquele momento em diante não existiria mais tristeza. Não existiria tristeza em lugar nenhum! Só felicidade. E ela também soube que sempre há alguém para compartilhar sua alegria. Ninguém está sozinho. Há sempre alguém que te completa.
Então, a partir daquele momento, o menino e a menina permaneceram juntos para sempre. Os dois se completando, os dois sendo necessários um para o outro, os dois sentindo felicidade. Até chegar a um ponto em que não se podia distinguir quem era o menino e quem era a menina: os dois se tornaram um. Um coração, duas pessoas. A união perfeita e eterna.
E assim, permanecem os dois até hoje. Eles sempre aparecem para quem os procurar. Sempre estão nos corações dos amantes e dos amigos verdadeiros. Os dois juntos, ela nas notas musicais, ele nas estrelas. Duas pessoas que se completam. Dois que formam um, um que forma dois. O amor, o mais puro amor.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Prepare seu filho para a vida

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.

Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.
Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida.

E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia.
Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

 Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe  complacente, que tudo concede.
Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Já que seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim?
Penso que este é um questionamento importante para quem está educando
uma criança ou um adolescente hoje.

Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito.
E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”.
Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores.
Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal.
Mas é possível uma vida sem frustrações?
Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo
duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço?
Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento?
Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade.
O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina.
Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer.
De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido.
Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito.
E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido.
Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções.

Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém,
por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é:
“Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”?

É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão.
Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer –
este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade.  Desde sempre sofremos.
E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?
Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar.
E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual.
Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter?
Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele?
Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

 Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar,
e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar.
E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo  funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem.
E, portanto, estão perdendo uma grande chance.
Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados.
E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo.
E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é.

Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem.
Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz,
é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada.
É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas.
Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando:
“Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”.
Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso”
ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”.

Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho
que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil,
incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher.
Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele.
E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falha não a torna menor.
Sim, a vida é insuficiente.
Mas é o que temos.
E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum)


Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. 

É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E-mail: elianebrum@uol.com.br Twitter: @brumelianebrum