sábado, 30 de julho de 2011

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

A menina da estrela.

Era uma vez uma menina feliz. Ela morava nas estrelas. Gostava de luz e de brilho. Dançava com cometas, corria nos anéis de Saturno e brincava de gangorra na Lua. Ela sabia o que era felicidade. Mas alguma coisa inquietava a menina. Com todo o céu para ela, solidão ela sentia! Alguém para brincar com ela, correr com ela, conversar com ela. As estrelas eram boas companhias, mas sumiam com o nascer do dia. E a menina ficava sozinha, vagando pelo céu, deitada nas nuvens, observando Apolo atravessar o céu com o Sol. E a menina ficava pensando se em algum lugar existiria alguém como ela. O que a menina não sabia era que nas notas musicais, um menino sorria. Ela gostava de saltar as notas, brincar com a clave de sol e brincar de gangorra nas colcheias. O menino sabia o que era a felicidade. Cercado de música, ele conhecia a liberdade. Mas com toda a beleza de todas as músicas, solidão o menino sentia. Precisava de alguém para apreciar a música com ele. Será que nesse vasto céu existiria alguém como ele?
A menina continuava pensando em uma companhia. O menino também. Só que o que os dois não sabias, era que estava escrito que eles deveriam se encontrar. A menina das estrelas e o menino das músicas deveriam se encontrar e permanecerem juntos para sempre. Ele apreciando as estrelas e ela, as músicas. Era o destino!
E na noite mais estrelada e mais bonita de todas a menina, que estava descansando em sua estrela favorita, ouviu uma música. Não era uma música qualquer. Era a música mais linda que ela tinha ouvido em toda a sua vida. De onde vinha aquela linda música? - menina se perguntava. É você, coração? Querendo se livrar da solidão? E aquela música foi deixando a menina triste, pois não havia ninguém, além dela para ouvi-la. Uma coisa tão bonita que não pode ser compartilhada. Então, a menina se entristeceu. Ela nunca quis tanto ter companhia! Mas ela não viu que o menino estava logo na estrela do lado dela. E quando ele a viu, seu coração se encheu de alegria e ele começou a tocar uma música muito alegre, uma música que transmitisse toda a alegria de ter encontrado alguém para ouvir suas músicas.
A menina, ao ouvir aquela nova música, sentiu seu coração mais leve, porque com aquela música ninguém podia ficar triste. E a alegria dela era tanta que a menina começou a dançar e a pular de estrela para estrela.
Então ela também viu o menino e soube que daquele momento em diante não existiria mais tristeza. Não existiria tristeza em lugar nenhum! Só felicidade. E ela também soube que sempre há alguém para compartilhar sua alegria. Ninguém está sozinho. Há sempre alguém que te completa.
Então, a partir daquele momento, o menino e a menina permaneceram juntos para sempre. Os dois se completando, os dois sendo necessários um para o outro, os dois sentindo felicidade. Até chegar a um ponto em que não se podia distinguir quem era o menino e quem era a menina: os dois se tornaram um. Um coração, duas pessoas. A união perfeita e eterna.
E assim, permanecem os dois até hoje. Eles sempre aparecem para quem os procurar. Sempre estão nos corações dos amantes e dos amigos verdadeiros. Os dois juntos, ela nas notas musicais, ele nas estrelas. Duas pessoas que se completam. Dois que formam um, um que forma dois. O amor, o mais puro amor.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Prepare seu filho para a vida

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.

Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.
Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida.

E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia.
Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

 Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe  complacente, que tudo concede.
Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Já que seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim?
Penso que este é um questionamento importante para quem está educando
uma criança ou um adolescente hoje.

Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito.
E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”.
Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores.
Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal.
Mas é possível uma vida sem frustrações?
Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo
duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço?
Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento?
Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade.
O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina.
Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer.
De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido.
Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito.
E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido.
Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções.

Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém,
por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é:
“Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”?

É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão.
Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer –
este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade.  Desde sempre sofremos.
E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?
Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar.
E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual.
Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter?
Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele?
Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

 Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar,
e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar.
E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo  funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem.
E, portanto, estão perdendo uma grande chance.
Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados.
E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo.
E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é.

Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem.
Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz,
é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada.
É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas.
Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando:
“Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”.
Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso”
ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”.

Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho
que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil,
incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher.
Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele.
E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falha não a torna menor.
Sim, a vida é insuficiente.
Mas é o que temos.
E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

(Eliane Brum)


Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. 

É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E-mail: elianebrum@uol.com.br Twitter: @brumelianebrum

quarta-feira, 20 de julho de 2011

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

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Luz e Paz

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Hiperatividade - TDHA

Hiperatividade

     Ansiedade, inquietação, euforia e distração freqüentes podem significar mais do que uma fase na vida de uma criança: os exageros de conduta, diferenciam quem vive um momento atípico daqueles que sofrem de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), doença precoce e crônica que provoca falhas nas funções do cérebro responsáveis pela atenção e memória. 
     De origem genética, o TDAH tem como fatores predominantes, e não necessariamente simultâneos, a desatenção, a impulsividade e a hiperatividade, além de influências externas relevantes, como traumas inclusive cerebrais, infecções, desnutrição ou dependência química dos pais. 
     No caso das crianças, o TDAH pode aparecer desde a gravidez, quando o bebê se mexe além do normal, ou durante o crescimento, no máximo até os sete anos de idade. Se a pessoa não for tratada desde cedo à base de estimulantes, antidepressivos e terapias, na fase adulta poderá ter sintomas de distração, falta de concentração e deficiência na coordenação de idéias ainda mais acentuadas. 
     O psiquiatra da infância e da adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas Ênio Roberto de Andrade (2000), explica que 30% a 70% dos indivíduos que sofrem dessa doença tomam medicamentos por toda a vida. "Como as causas e os efeitos são de difícil diagnóstico, o tratamento não é voltado para a cura da doença, mas para a remissão", diz. Quando se pensa em TDAH, a responsabilidade sobre a causa recai sobre toxinas, problemas no desenvolvimento, alimentação, ferimentos ou malformação, problemas hereditários e familiares. Já foi sugerido que essas possíveis causas afetam o funcionamento do cérebro e, como tal, o TDAH pode ser considerado um distúrbio funcional do cérebro. Pesquisas mostram diferenças significativas na estrutura e no funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH, particularmente nas áreas do hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal, gânglios da base, corpo caloso e cerebelo. Esses estudos estruturais e metabólicos somados a estudos genéticos e sobre a família, bem como as pesquisas sobre reação a drogas, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico. Apesar da intensidade dos problemas enfrentados pelos portadores do TDAH variar de acordo com suas experiências de vida, está claro que a genética é o fator básico na determinação do aparecimento dos sintomas do TDAH. 
 


     As características do TDAH aparecem bem cedo para a maioria das pessoas, logo na primeira infância. O distúrbio é caracterizado por comportamentos crônicos, com duração de no mínimo seis meses, que se instalam definitivamente antes dos 7 anos. Atualmente, quatro subtipos de TDAH foram classificados: 



     A pessoa apresenta pelo menos, seis das seguintes características: 
     - Não enxerga detalhes ou faz erros por falta de cuidado. 
     - Dificuldade em manter a atenção. 
     - Parece não ouvir. 
     - Dificuldade em seguir instruções. 
     - Dificuldade na organização. 
     - Evita / não gosta de tarefas que exigem um esforço mental prolongado. 
     - Freqüentemente perde os objetos necessários para uma atividade. 
     - Distrai-se com facilidade. 
     - Esquecimento nas atividades diárias. 




     É definido se a pessoa apresenta seis das seguintes características: 
     - Inquietação, mexendo as mãos e os pés ou se remexendo na cadeira. 
     - Dificuldade em permanecer sentada. 
     - Corre sem destino ou sobe nas coisas excessivamente (em adulto, há um sentimento subjetivo de inquietação). 
     - Dificuldade em engajar-se numa atividade silenciosamente. 
     - Fala excessivamente. 
     - Responde a perguntas antes delas serem formuladas. 
     - Age como se fosse movida a motor. 
     - Dificuldade em esperar sua vez. 
     - Interrompe e se interrompe. 



     É caracterizado pela pessoa que apresenta os dois conjuntos de critérios dos tipos desatento e hiperativo / impulsivo. 
 


     A pessoa apresenta algumas dificuldades, mas número insuficiente de sintomas para chegar a um diagnóstico completo. Esses sintomas, no entanto, desequilibram a vida diária. 
     Na idade escolar, crianças com TDAH apresentam uma maior probabilidade de repetência, evasão escolar, baixo rendimento acadêmico e dificuldades emocionais e de relacionamento social. Supõe-se que os sintomas do TDAH sejam catalisadores2, tornando as crianças vulneráveis ao fracasso nas duas áreas mais importantes para um bom desenvolvimento - a escola e o relacionamento com os colegas. 
     À medida que cresce o conhecimento médico, educacional, psicológico e da comunidade a respeito dos sintomas e dos problemas ocasionados pelo TDAH, um número cada vez maior de pessoas está sendo corretamente identificado, diagnosticado e tratado. Mesmo assim, suspeita-se que um grupo significativo de pessoas com TDAH ainda permanece não identificado ou com diagnóstico incorreto. Seus problemas se intensificam e provocam situações muito difíceis no confronto da vida normal. 
     O TDAH é com freqüência, apresentado, erroneamente, como um tipo específico de problema de aprendizagem3. Ao contrário, é um distúrbio de realização. Sabe-se que as crianças com TDAH são capazes de aprender, mas têm dificuldade em se sair bem na escola devido ao impacto que os sintomas do TDAH têm sobre uma boa atuação. Por outro lado 20% a 30% das crianças com TDAH também apresentam um problema de aprendizagem, o que complica ainda mais a identificação correta e o tratamento adequado. Pessoas que apresentaram sintomas de TDAH na infância demonstraram uma probabilidade maior de desenvolver problemas relacionados com comportamento opositivo desafiador, delinqüência, transtorno de conduta, depressão e ansiedade. Os pesquisadores, no entanto, sugerem que o resultado desastroso apresentado por alguns adolescentes não é uma conseqüência apenas do TDAH, mas, antes, uma combinação de TDAH com outros transtornos de comportamento, especialmente nos jovens ligados a atitudes criminosas e abuso de substâncias. 
     Relatos sobre adultos com TDAH mostraram que eles enfrentam problemas sérios de comportamento anti-social, desempenho educacional e profissional pouco satisfatório, depressão, ansiedade e abuso de substâncias. Infelizmente muitos adultos de hoje não foram diagnosticados como crianças com TDAH. Cresceram lutando com uma deficiência que freqüentemente, passou sem diagnóstico, foi mal diagnosticada ou, então, incorretamente tratada. 
     A maioria dos adultos com TDAH apresenta sintomas similares aos apresentados pelas crianças. São freqüentemente inquietos, facilmente distraídos, lutam para conseguir manter o nível de atenção, são impulsivos e impacientes. Suas dificuldades em manejar situações de "stress" levam a grandes demonstrações de emoção. No ambiente de trabalho, é possível que consigam alcançar boa posição profissional ou status compatível com sua educação familiar .ou habilidade intelectual. 

2 Catalisadores = provocam retardo, atraso 3 Problema de aprendizagem = dificuldade em aprender 
 


     O diagnóstico do TDAH é um processo de múltiplas facetas. Diversos problemas biológicos e psicológicos podem contribuir para a manifestação de sintomas similares apresentados por pessoas com TDAH. Por exemplo: a falta de atenção é uma das características do processo de depressão. Impulsividade é uma descrição típica de delinqüência. 
     O diagnóstico de TDAH pede uma avaliação ampla. Não se pode deixar de considerar e avaliar outras causas para o problema, assim é preciso estar atento à presença de distúrbios concomitantes (comorbidades). O aspecto mais importante do processo de diagnóstico é um cuidadoso histórico clínico e desenvolvimental. A avaliação do TDAH inclui, freqüentemente, um levantamento do funcionamento intelectual, acadêmico, social e emocional. O exame médico também é importante para esclarecer possíveis causas de sintomas semelhantes aos do TDAH (por exemplo: reação adversa à medicação, problema de tireóide, etc). O processo de diagnóstico deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que de alguma maneira, interagem de maneira rotineira com a pessoa que está sendo avaliada. Embora se tenha tornado prática popular testar algumas habilidades como resolução de problemas, trabalhos de computação e outras, a validade dessa prática bem como sua contribuição adicional a um diagnóstico correto, continuam a ser analisadas pelos pesquisadores. 
     No diagnóstico de adultos com TDAH, mais importante ainda é conseguir o histórico cuidadoso da infância, do desempenho acadêmico, dos problemas comportamentais e profissionais. À medida que aumenta o reconhecimento de que o transtorno é permanente durante a vida da pessoa, os métodos e questionários relacionados com o diagnóstico de um adulto com TDAH estão sendo padronizados e tornados cada vez mais acessíveis. 
     Há algumas diferenças notáveis entre um portador de TDAH e um , mero mal-educado. O portador de TDAH continua agitado diante de situações novas, isto é, não consegue controlar seus sintomas. Já o mal-educado, primeiro avalia bem o terreno e manipula situações buscando obter vantagens sobre os outros. 
     "Diagnósticos apressados e equivocados têm feito pessoas mal-educadas ficarem à vontade para serem mal educadas sob o pretexto de que estão dominadas pelo TDAH. O fato de serem consideradas doentes facilita a aceitação de seu comportamento impróprio". (TIBA, 2002, p. 152). 
     É mais fácil agir sem a necessária adequação de ser humano e cair na escala animal liberando tudo o que se tem vontade de fazer..."Concentrar-se dá trabalho. Exige esforço mental" (TIBA, 2002, p.152). como a criança não suporta isso, começa a se agitar, a prestar atenção em outra coisa. 
     Antes dos pais lidarem com o filho como apenas um mal-educado, ou como um portador do TDAH, é importante que consulte um médico e recebam a orientação correta, base fundamental da boa educação. 
     "Tanto o portador de TDAH como o mal-educado são irritáveis por falta de capacidade de esperar. A espera é um exercício". (TIBA, 2002, p. 153). 
 


     Segundo Soren Dalsgaard, do Hospital Psiquiátrico de Crianças e Adolescentes da Universidade Aarhus, na Dinamarca, "Apesar do TDAH ser mais comum em meninos, as meninas com o problema podem ter um resultado mais negativo no estado psiquiátrico na puberdade" (DALSGAARD apud ESTUDO, 2002). Estudos realizados num período de dez a trinta anos, comprovou-se que as meninas hiperativas foram duas vezes mais propensas que os meninos a serem hospitalizadas na vida adulta. 
     A razão para que isso aconteça "pode ser devido a uma diferença biológica de sexo", suspeita Dalsgaard. (IDEM). "Os garotos podem ser mais vulneráveis a desenvolver o TDAH, mas quando a hiperatividade ocorre nas meninas, as conseqüências são mais agravantes". (IDEM). 
     Para o psiquiatra Ênio Roberto de Andrade (ANDRADE apud GENTILE, 2000, p. 30) essa incidência de TDAH em meninos - cerca de oitenta por cento dos casos, está relacionado também ao hormônio masculino testosterona. 
 


     Antes de qualquer tratamento, um exame físico deve ser feito para descartar outras causas para o comportamento da criança, tais como: infecção crônica do ouvido médio, sinusite, problemas visuais ou auditivos, ou outros problemas neurológicos. 
     Existem tratamentos alternativos como o fitoterápico e homeopático que têm demonstrado eficácia no tratamento da hiperatividade. 
     É essencial que o tratamento ocorra de forma cautelosa, em um ambiente calmo e carinhoso. 
     O tratamento de crianças com TDAH exige um esforço coordenado entre os profissionais das áreas médicas, saúde mental e psicológica, em conjunto com os pais. Esta combinação de tratamento oferecidos por diversas fontes é denominada de intervenção multidisciplinar. Um tratamento com esse tipo de abordagem inclui: 
          - treinamento dos pais quanto à verdadeira natureza do TDAH e um desenvolvimento de estratégias de controle efetivo de comportamento; 
          - um programa pedagógico adequado; 
          - aconselhamento individual e familiar, quando necessário para evitar o aumento de conflitos na família; 
          - uso de medicação quando necessário. 
     De acordo com alguns especialistas, os medicamentos mais utilizados para o controle dos sintomas do TDAH são os psicoestimulantes4. Setenta a oitenta por cento das crianças e dos adultos com TDAH apresentam uma resposta positiva. Esse tipo de medicamento é considerado "performance enhancer"5. Portanto, eles podem, até certo ponto, estimular a performance de todas as pessoas. Mas, em razão do problema específico que apresentam, crianças com TDAH apresentam melhora dramática, com redução do comportamento impulsivo e hiperativo e aumento da capacidade de atenção. 
     O controle do comportamento é uma intervenção importante para crianças com TDAH. O uso eficiente do reforço positivo combinado com punições tem sido uma maneira particularmente bem sucedida de lidar com os portadores do transtorno. 
     Os adultos com TDAH apresentam resposta aos estimulantes e outros medicamentos semelhante à das crianças. Eles também podem se beneficiar aprendendo a estruturar seu meio ambiente, desenvolvendo hábitos organizacionais e procurando um acompanhamento profissional. Quando necessário uma psicoterapia de curto prazo pode ajudar a enfrentar as exigências da vida e os problemas pessoais do momento. Terapias mais prolongadas podem ensinar a mudar comportamento e a criar estratégias de enfrentamento a pessoas que apresentam uma combinação de TDAH e problemas concomitantes - especialmente depressão. 
     Aumenta a cada dia o reconhecimento da eficiência dos tratamentos na redução dos sintomas imediatos apresentados por pessoas com TDAH. Os pesquisadores acreditam que somente reduzir os sintomas da criança com TDAH não traz resultados satisfatórios a longo prazo. Assim, aumenta a consciência de que os fatores que predispõem todas as crianças à uma vida bem sucedida são especialmente importantes para as crianças que apresentam problemas relacionados a distúrbios como o TDAH. Há uma maior aceitação da necessidade de equilibrar a balança para as pessoas com TDAH. Portanto, os tratamentos são aplicados para permitir alívio dos sintomas enquanto se trabalha no sentido de assistir a pessoa a construir uma vida bem sucedida. 

4 Psicoestimulantes = drogas que estimulam a produção de substâncias neurotransmissores que estão deficientes. 5 "Performance enhancer" = são considerados os principais medicamentos para o tratamento de TDAH. 


     O hiperativo é a causa de freqüentes transtornos domésticos: 
          - às refeições não consegue ficar sentado de modo adequado, pois muda de posição constantemente; 
          - não termina uma refeição sem antes levantar-se várias vezes, por diversos motivos desnecessários; 
          - come com muita voracidade e ansiedade; engole os alimentos mal mastigados com uma pressa sem propósito; 
          - quando assistindo à TV, não consegue manter-se quieto, incomoda os circunstantes, acrescentando mais um fator para as desavenças; 
          - interfere nas conversas de modo inoportuno, sem aguardar a sua vez para falar. Não se detém para ouvir o que se lhe está falando; 
          - fala muito e em ritmo acelerado, o que acarreta uma fala com mensagens confusas e, às vezes, com omissões e trocas de fonemas; 
          - muda de atividade com muita freqüência e de modo abrupto, mesmo sem completar a anterior; 
          - mostra-se muito desorganizado com seus brinquedos, objetos, roupas e material escolar; 
          - atrapalha as brincadeiras dos irmãos; 
          - apresenta problemas de disciplina; 
          - tem dificuldade em acatar as ordens; 
          - responde com comportamento agressivo e violento em situações rotineiras; 
          - quer ser sempre atendido na hora das suas solicitações; 
          - procura impor as suas vontades e à sua moda (são mandões); 
          - pede as coisas e logo se desinteressa; 
          - consegue deixar o ambiente todo agitado e descontrolado; 
          - demonstra uma grande ansiedade em todas as atividades. (T0PAZEWSKI, 1999, p. 52). 
     Nem sempre os pais admitem que o filho é hiperativo. "Muitos acham que a criança é esperta demais e, por isso, está sempre interessada em novidades". Afirma Helena Samara, diretora da Escola Móbile, de São Paulo. "Além disso, eles acreditam que o tratamento com medicamentos pode tirar a espontaneidade do pequeno".(ANDRADE apud GENTILE, 2000, p. 31). 
     Em casos leves o distúrbio pode ser tratado apenas com terapia e reorientação pedagógica, diz o psiquiatra Ênio de Andrade: "Os casos graves necessitam de tratamento com medicamentos". O tratamento é feito por um período mínimo de dois anos, mas deve durar até a adolescência, quando os sintomas diminuem ou desaparecem, graças ao amadurecimento do cérebro, que equilibra a produção da dopamina6. (ANDRADE apud GENTILE, 2000, p. 31). 

6 Dopamina = substância presente no cérebro que transmitem o impulso nervoso de uma célula para outra no cérebro. 
 


     O comportamento hiperativo pode desestabilizar a relação do casal, que deve procurar administrar, em conjunto, os desvios comportamentais apresentados pelo filho, pois as discórdias do casal têm repercussão negativa relevante sobre o comportamento emocional da criança, o que agrava a hiperatividade. A vida doméstica se torna mais difícil, os encontros não mais denotam prazer, mas justamente o oposto, ou seja, o desprazer. A vida do casal se altera, comprometendo também a sua relação afetiva e sexual, em particular. Os horários das refeições tornam-se desgastantes, quando, na realidade deveriam ter clima tranqüilo, com momentos de descontração e prazer para integrar a família. Acontece exatamente o contrário, pois nestas horas é que os ânimos ficam acirrados, tornando mais evidentes as cobranças e discussões. (T0PAZEWSKI, 1999, p. 49). 


     É importante que uma rotina estável seja estabelecida em casa. Para diminuir a confusão e a quantidade de estímulos diários, deve-se definir horários específicos para comer e dormir. 
          - Fale um pouco mais alto e dê ênfase às palavras mais importantes, que designem tempo, espaço e modo, como por exemplo: "A lição é para amanhã". 
          - Seja breve e evite dar várias ordens ao mesmo tempo. 
          - Não mande a criança fazer algo gritando de outro cômodo da casa. Ela não vai atender você. 
          - Prepare um local de estudos adequado, com horários estabelecidos para fazer as tarefas escolares. 
     É aconselhável atribuir uma tarefa pequena e rápida e insistir delicadamente para que seja concluída, não esquecendo de agradecer e elogiar. 
     Fazer com que a criança participe de projetos de seu interesse contribui para sua concentração. Aprender a concentrar-se alterará sua resposta ao mundo, gradativamente, pois além de ter um desequilíbrio do sistema nervoso que transforma em tortura o simples ato de permanecer sentado, a criança hiperativa e inteligente entedia-se facilmente. 
     A importância da conclusão desse projeto oferecerá uma idéia de competência e maior auto-estima. 
     É necessário que os pais também busquem terapia para adquirirem informação e apoio, diminuindo assim o sentimento de frustração e isolamento que atinge a família. 
     Aconselha-se que os pais não se prendam demasiadamente ao problema da hiperatividade da criança; faz-se necessário um descanso, ocupando-se em outras atividades prazerosas a fim de amenizar o desgaste emocional que é uma constante na vida familiar. 
     "Com freqüência as crianças que sofrem com esse problema são filhas de pais hiperativos que não educam de forma organizada", afirma o pediatra Dr. Ricardo Gama Carneiro. 
     "Mesmo assim é importante impor limites especiais às crianças com TDAH", garante o Dr. Ricardo, principalmente porque os medicamentos utilizados no tratamento não curam a doença, somente amenizam os sintomas. "É preciso reorganizar a educação da criança”


     Segundo o psiquiatra Ênio Roberto de Andrade, a hiperatividade só fica evidente no período escolar, quando é preciso aumentar o nível de concentração para aprender. "O diagnóstico clínico, deve ser feito com base no histórico da criança". Por isso, a observação de pais e professores é fundamental. (ANDRADE, 2000, p. 30). 
     Geralmente os hiperativos, se mexem muito durante o sono quando bebês. São mais estabanados assim que começam a andar. Às vezes, apresentam retardo na fala, trocando as letras por um período mais prolongado que o normal. Em casa, esses sintomas nem sempre são suficientes para definir o quadro. Na escola, porém, eles são determinantes. 
     A inteligência de pessoas hiperativas não é comprometida com a doença, mas "o principal empecilho para elas é a impulsividade e a falta de atenção, ferramentas importantes para o progresso dos estudos", afirma a psicopedagoga e psicanalista Maristane Dias (http://www1folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u1647.shtml). 
     Ao se tratar o paciente hiperativo, é notada marcante melhoria no seu rendimento escolar. 
     Os pacientes que não apresentam dificuldades no aprendizado conseguem executar as tarefas de modo rápido e eficiente, mas como terminam antes que os outros, ficam a atrapalhar o trabalho dos colegas por conta da hiperatividade. Esse comportamento causa insatisfação ao grupo, que passa a reclamar e a interferência do professor, ao chamar a atenção do aluno, tem como objetivo primordial o de manter a classe organizada, provocando uma reação agressiva por parte do aluno, além de acentuar a hiperatividade. (T0PAZEWSKI, 1999, p. 57).

     Se o convívio social é importante para o desenvolvimento da criança, para quem tem TDAH não é diferente. Ao professor cabe observar sinais como agitação e dificuldade de assimilação. No intervalo das aulas a criança costuma se meter em brigas ou brincar quase sempre sozinha, tenta chamar a atenção ou se comporta como se fosse alienada. 
     As meninas que sofrem da doença são mais distraídas, falam demais ou simplesmente se isolam. Os meninos não conseguem manter amizades por muito tempo, são agitados e interrompem a aula constantemente. 
     Antes de apelar para conclusões precipitadas é preciso que se leve em conta que crianças hiperativas não podem ser julgadas como rebeldes. Por sofrerem de uma doença que provoca dificuldades de concentração, não se dão conta das ordens que recebem. 
     Segundo Maristane Dias, não cabe ao professor ou à escola fazer o diagnóstico, mas é possível observar o aluno e conversar com os pais para que um especialista seja procurado. 
     De acordo com Gilda Rizzo: "proporcionar atividades variadas que ocupem a criança o maior período de tempo possível, dando a ela liberdade de escolha e de movimentos" (1985, p.307), pode auxiliar uma melhor conduta no trato com o hiperativo. Somente o trabalho livre e diversificado pode favorecer esse tipo de criança que também se mostra satisfeita na incumbência de realizar tarefas auxiliando o professor. 
     A impossibilidade para o aprendizado satisfatório é evidente já que o comportamento hiperativo acarreta a dispersão e a desatenção. O adolescente pode apresentar o problema multiplicado, pois, vem caminhando com os transtornos comportamentais e as dificuldades para o aprendizado, especialmente para a leitura, desde o problema escolar. Esta dificuldade gera um grau de desinteresse e mesmo desprezo para a leitura e para as outras atividades escolares, que culmina com o comprometimento importante do desempenho e do rendimento escolar. Muitos abandonam a escola e se dedicam ao trabalho, que, na maior parte das vezes, é pouco qualificado. 
     Há vezes em que não conseguem nem mesmo participar nos negócios da família, os quais já estão estruturados; assim acabam sendo colocados em posições secundárias, o que gera conflitos internos e a sensação de insatisfação e infelicidade para o jovem, pois conscientiza, de maneira concreta, a sua incapacidade global. Este conflito interno gera a depressão, que se caracteriza por uma sensação de desesperança e certa tendência a desistir dos objetivos futuros pertinentes. Essa visão negativa de si mesmo leva a baixa auto-estima, auto-estima negativa e uma visão de futuro desfavorável. Os adolescentes apresentam oscilações comportamentais e variações do humor que se agravam com os reveses escolares e os insucessos sociais. 
     Quando adultos, têm raciocínio rápido, mas grande dificuldade de concentração durante aulas duradouras. 
     Os hiperativos apresentam alterações na chamada memória de curto período, e isto se deve à baixa capacidade de atenção e à pouca concentração. As mães referem que, quando solicitam algo à criança, esta retorna após alguns minutos perguntando qual foi a solicitação, pois esqueceu-se do pedido que lhe fora feito. Esta falta de memória já é, por si só, um fator de baixo rendimento escolar que quando associado à hiperatividade agrava o quadro. (T0PAZEWSKI, 1999, p. 57). 



     - Evite colocar alunos nos cantos da sala, onde a reverberação do som é maior. Eles devem ficar nas primeiras carteiras das fileiras do centro da classe, e de costas para ela; 
     - Faça com que a rotina na classe seja clara e previsível, crianças com TDAH têm dificuldade de se ajustar a mudanças de rotina; 
     - Afaste-as de portas e janelas para evitar que se distraiam com outro estímulos; 
     - Deixe-as perto de fontes de luz para que possam enxergar bem; 
     - Não fale de costas, mantenha sempre o contato visual; 
     - Intercale atividades de alto e baixo interesse durante o dia, em vez de concentrar o mesmo tipo de tarefa em um só período; 
     - Repita ordens e instruções; faça frases curtas e peça ao aluno para repeti-las, certificando-se de que ele entendeu; 
     - Procure dar supervisão adicional aproveitando intervalo entre aulas ou durante tarefas longas e reuniões; 
     - Permita movimento na sala de aula. Peça à criança para buscar materiais, apagar o quadro, recolher trabalhos. Assim ela pode sair da sala quando estiver mais agitada e recuperar o auto-controle; 
     - Esteja sempre em contato com os pais: anote no caderno do aluno as tarefas escolares, mande bilhetes diários ou semanais e peça aos responsáveis que leiam as anotações; 
     - O aluno deve ter reforços positivos quando for bem sucedido. Isso ajuda a elevar sua auto-estima. Procure elogiar ou incentivar o que aquele aluno tem de bom e valioso; 
     - Crianças hiperativas produzem melhor em salas de aula pequenas. Um professor para cada oito alunos é indicado; 
     - Coloque a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor na parte de fora do grupo; 
     - Proporcione um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de maneira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude; 
     - Nunca provoque constrangimento ou menospreze o aluno; 
     - Proporcione trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favoreça oportunidades sociais. Grande parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos pequenos; 
     - Adapte suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo: se o aluno tem um tempo de atenção muito curto, não espere que se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período da aula; 
     - Proporcione exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. Avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante. 
     - Coloque limites claros e objetivos; tenha uma atitude disciplinar equilibrada e proporcione avaliação freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado; 
     - Desenvolva um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos; 
     - Repare se a criança se isola durante situações recreativas barulhentas. Isso pode ser um sinal de dificuldades: de coordenação ou audição, que exigem uma intervenção adicional. 
     - Desenvolva métodos variados utilizando apelos sensoriais diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as novas experiências envolvem uma miríade de sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), esse aluno provavelmente precisará de tempo extra para completar sua tarefa. 
     - Não seja mártir! Reconheça os limites da sua tolerância e modifique o programa da criança com TDAH até o ponto de se sentir confortável. O fato de fazer mais do que realmente quer fazer, traz ressentimento e frustração. 
     - Permaneça em comunicação constante com o psicólogo ou orientador da escola. Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico. 



     Amar uma pessoa com comportamento TDAH, pode exigir uma grande habilidade na arte de amar, uma vez que as relações amorosas, costumam ter a mesma intensidade dos loopings das montanhas russas americanas. Tudo pode acontecer nessas relações num espaço de tempo tão curto que os amantes podem chegar ao ponto de duvidar da realidade dos fatos. Sua vida pode virar de ponta-cabeça em poucos minutos. 
     A forma de amar é influenciada pela tríade: desatenção, hiperatividade e impulsividade. "Em todos os casos sobra emoção e quase sempre falta razão". Mentes inquietas parecem não possuir nenhum pequeno espaço para abrigar a velha e cansada amiga Razão". (SILVA, 2003, p. 72). 
     A pessoa com hiperatividade física aliada à impulsividade assemelha-se a um grande "tornado" apaixonado. É capaz de conhecer alguém, apaixonar-se, casar, brigar, odiar, separar, divorciar e tornar a casar-se tudo em menos de um mês. Tendem a sentir todas as emoções de modo mais intenso. Quando se apaixonam, toda sua atenção volta-se para esse sentimento sem que possam controlar tal impulso, ficam cegos de paixão. 
     Já as pessoas que não possuem tanta hiperatividade física e impulsividade tendem a apaixonar-se à moda antiga, transformam o objeto de paixão em um ser idealizado. Amam, no interior de suas mentes, mas não conseguem colocar em prática todas as coisas que vivem em seus pensamentos. Muitas vezes seus parceiros nem sabem ou imaginam que são objetos de tão nobres sentimentos. 
     Toda essa emoção tende a transformar-se em poesia, obras literárias ou músicas. Clássico exemplo dessa forma de amar, de uma pessoa com comportamento hiperativo do tipo desatento, pode ser aferida nos versos imortais de Fernando Pessoa: 

     Quem tem dois corações 
     Me faça presente de um 
     Que eu já fui dono de dois 
     E já não tenho nenhum. 
      
     Dá-me beijos, dá-me tantos 
     Que enleado em teus encantos 
     Preso nos abraços teus 
     Eu não sinta a própria vida 
     Nem minh'alma ave perdida 
     No azul amor dos teus céus. 

     Botão de rosa menina 
     Carinhosa, pequenina 
     Corpinho de tentação 
     Vem morar na minha vida. 

     Dá em ti terna guarida 
     Ao meu pobre coração 
     Quando passo um dia inteiro 
     Sem ver o meu amorzinho 
     Cobre-me um frio de janeiro 
     No junho do meu carinho. (apud SILVA, 2003, p. 73) 

     Passada a paixão inicial o difícil é a convivência, estabelecer uma relação afetiva duradoura de crescimento e respeito mútuo. 
     A instabilidade de atenção traz muitos problemas pessoais e cotidianos. Datas especiais podem ser esquecidas, trabalho pode ser um ato contínuo, ser levado para dentro de casa. Sérios conflitos podem aparecer tornando a relação insuportável para ambos. 
     Um outro aspecto que torna a comunicação afetiva difícil é a baixa auto-estima que quase sempre acaba traindo-o, impedindo que fale o que sente de verdade, sob pena de sentir-se rejeitado e não amado. 
     Talvez seja esse o seu maior temor afetivo. (SILVA, 2003, p. 76). 
     Essa baixo auto-estima tem início na vida infantil onde apresentaram muitas desavenças, culpas, acusações e agressões por terem sido mal-interpretadas e rotuladas de forma pejorativa como "rebeldes", "esquisitas", "preguiçosas", "más", etc. 
     Essas relações afetivas primárias (com familiares e cuidadores) é que irão influenciar na vida adulta. Muitos calam-se para não provocar conflitos ou dirão tudo que lhes vêm a cabeça com uma grande dose de afetividade. 
     Evitar apaixonar-se por um hiperativo é a solução ideal para tantos conflitos? Claro que não. "O importante é escolher uma pessoa muito especial que goste da gente, com suas virtudes e suas limitações". (SILVA, 2003, p. 76).